Aprender a nadar e aprender a ser gentil

Como as crianças podem aprender sobre valores humanos nas aulas de natação

“Sou gentil e faço amigos”. Esta frase pode parecer muito simples para um adulto como você, que lê esse texto agora. Mas para uma criança de 4 anos, ser gentil emprestando o brinquedo ao coleguinha pode não ser uma tarefa assim tão fácil. Entre os 4 e os 6 ou 7 anos, é comum observarmos a tendência da criança querer para si um brinquedo de uso exclusivo. Isso é o egocentrismo, característico dessa fase do desenvolvimento, chamada por Piaget de Período Pré-Operatório. A criança ainda não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro e, dessa forma, acredita que para tudo existe uma única lógica de funcionamento: a sua. Ao querer o melhor brinquedo para si, ou todos eles, a criança assume que “ser é ter”, isto é, confunde a posse de objetos com a sua própria personalidade (tenho mais, logo, sou mais).

Embora isso seja entendido como natural, o egocentrismo precisa ser trabalhado para que possa ser superado. Cabe à família e também aos professores estimular comportamentos que levem
progressivamente à cooperação e à gentileza, de forma que, ao término desse período, por volta dos sete anos, a criança tenha deixado o egocentrismo para trás.

O que aconteceria se pais e professores simplesmente aceitassem essa forma de agir da criança como natural do período e não estimulassem comportamentos diferentes? Passada esta etapa, o egocentrismo e o egoísmo não seriam superados e ela provavelmente se tornaria um adolescente (ou até mesmo um adulto) com grande dificuldade em compartilhar, cooperar e compreender o outro. Ironicamente, esse é um dos grandes problemas da convivência humana.

Nas aulas de natação da Metodologia Gustavo Borges, além da divisão por níveis de habilidades de movimentação aquática (ou cores de touca), a programação das aulas contempla atividades voltadas para o desenvolvimento de valores humanos, que são trabalhados nas diferentes faixas etárias, seguindo o ritmo de desenvolvimento cognitivo e psicossocial das crianças. Em uma aula temática para crianças de 4 a 6 anos, a frase “sou gentil e faço amigos”, pode servir de inspiração para uma atividade onde as crianças compartilhem um grande tapete flutuante, como se fosse uma jangada, imaginando um passeio num lago encantado.

No final de 2017, foi implementado um Passaporte de Conquistas, que contempla 4 comportamentos sociais por nível. A cada trimestre, os professores montam suas aulas com ênfase em um dado comportamento e, ao final do período, as crianças recebem um patch que celebra a conquista desse comportamento. Isso não é uma avaliação, uma vez que todas as crianças recebem o mesmo patch. A intenção é promover a vivência daquele comportamento por, aproximadamente, três meses e ensinar à criança a importância de conquistar objetivos.

A conquista, aliás, é outro ponto importante a ser trabalhado numa sociedade onde está cada vez mais comum a crença de que tudo se realiza num passe de mágica, sem necessidade de qualquer esforço. É importante que a criança entenda que é necessário se empenhar para conseguir o que quer, ou seja, conquistar pelo mérito e não pela imposição.

Aos professores e pais, resta usar boas estratégias e muita paciência para gerenciar os conflitos na hora de ensinar as crianças o quanto é bom fazer amigos, compartilhar e, através dos bons relacionamentos, mostrar sua personalidade.

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Ester Mendes
Departamento Científico | Metodologia Gustavo Borges

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