Obrigado, Tóquio!

Por Georgios (Grego) Hatzidakis, Fitness Brasil
16/08/2021

Os Jogos Olímpicos demoraram cinco anos para chegar e com isso a impressão que tive é que acabaram muito depressa. Passamos noites acordados torcendo. Mais uma vez as competições emocionaram o público mesmo que à distância.

Um espetáculo de transmissão, com os mais diversos ângulos nos trouxeram muitas emoções e nos fizeram vibrar muito. Em alguns momentos esquecendo até o princípio do Fair Play, pois queríamos que os adversários dos brasileiros caíssem. 

Foram imagens e histórias emocionantes e inspiradoras. Logicamente se as arquibancadas estivessem lotadas, talvez mais emoção seria transmitida, mas não temos como negar a missão cumprida do Japão com méritos. Muitos artigos estão sendo publicados apresentando os problemas do esporte brasileiro e soluções simplistas. 

NÚMEROS RECORDES

Analisando os números, Tóquio quebrou todos os recordes dentro e fora do campo. Segundo dados do Comitê Olímpico Internacional, foram 19 dias de competições nos quais aconteceram 339 eventos. Tivemos 11.259 atletas inscritos, sendo 48% representantes femininos e 52% masculinos. 

Foram distribuídas 2401 medalhas e 93 Comitês Olímpicos Nacionais (CONs) ganharam pelo menos uma dessas. Em 12 esportes, tivemos a participação de 29 atletas refugiados. Três CONs ganharam sua primeira medalha (Burkina Faso, Turcomenistão e San Marino) e três equipes conquistaram sua primeira medalha de ouro olímpica (Bermudas, Filipinas e Qatar). 

A transmissão dos Jogos foi um sucesso à parte! O conteúdo foi disponibilizado para os fãs em mais telas do que nunca por meio da TV, plataformas digitais, aplicativos e mídias sociais. As plataformas de streaming quebraram recordes – não a toa que esses foram chamados de “os jogos de streaming”.

Os Jogos foram os mais engajados de todos os tempos, sendo que tiveram mais de 175 milhões de usuários únicos na web e no aplicativo dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o dobro do tráfego do RIO2016.

As postagens sociais do COI e Tóquio 2020 geraram mais de 5 bilhões de engajamentos – exibições de vídeos, compartilhamentos e curtidas em 2021. Mais de 250 milhões de “vivas” vindos de todos os países e apoiando atletas de todos os 205 CONs e da Equipe de Refugiados do COI.

As atletas femininas geraram mais conversas nas redes sociais, sendo que os cinco atletas mais mencionados no Twitter são mulheres.

As novas modalidades foram um sucesso e rejuvenesceram os Jogos. Nossas medalhas no Surf e no Skate nos deixaram felizes, mas não podemos deixar de destacar a Escalada que praticamente desconhecida nos trouxe grandes imagens e emoção, mesmo que não tivéssemos brasileiros disputando. Exemplos de superação e fair-play não faltaram. 

Rayssa Leal, do skate brasileiro, em destaque na página do olympics.com (reprodução)

RESULTADOS DO BRASIL

A delegação brasileira superou as expectativas, alcançando um número de medalhas maior que no Rio 2016. Algumas modalidades deverão se renovar pois não obtiveram os resultados esperados, mas a concorrência equilibrada, a imprevisibilidade de resultados e o fair play são os pilares do esporte. Não podemos ganhar sempre, a derrota faz parte da emoção. 

Tradicionalmente a mídia classifica os resultados dos países pela quantidade de “ouros” conquistados. Nesse sistema ficamos no 12º lugar conforme a tabela abaixo:

Fonte: Olimpics.com

No entanto não podemos deixar de apresentar outras propostas pouco usuais para classificações. Pelo total de medalhas, independentemente do tipo, o Brasil manteve a mesma posição:

Fonte: Olimpics.com

Segundo o tamanho da população:

Segundo o PIB per capita:

Temos mais propostas para medir o desempenho, tais como número de medalhas proporcional ao número de atletas enviados aos Jogos, ou então a contagem de medalhas por quantidade de atletas premiados (modalidades coletivas pelo número de atletas de cada modalidade).

Analisando o desempenho do Brasil, apresentamos as tabelas elaboradas pelo economista Cesar Grafietti:

Terminaram os Jogos e torcemos para aumentarem os investimentos no esporte. Independente disso, iremos revelar novos talentos e novamente vibrar em um tempo menor. Três anos vão passar voando. Que venha Paris 2024, Los Angeles 2028 e Brisbane 2032!

(*) Georgios (Grego) Hatzidakis é Diretor de Comunicação e Marketing da FEDEESP, Coordenador do MBA Executivo de Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, Vice-Presidente do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin, Panatlheta. Delegado da FIEP-SP e do CREF4/SP.

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