Carga de treinamento e seu controle

CONCEITO DA CARGA DE TREINAMENTO

Durante muito tempo, o treinador esportivo não tinha um instrumento válido de análise que lhe possibilitasse saber, num determinado momento da temporada de treino, se as estratégias por ele delineadas como a preparação para determinado objetivo de ganho de força ou melhora da performance para participação em competições estariam tendo sucesso.

Os principais erros estão relacionados, entre outros fatores, com seleções de volumes e intensidades inadequados. De fato, se por um lado, os regimes de treino com cargas demasiadamente baixas não provocam estímulos musculares significativos para induzir adaptação, também os estímulos sistemáticos demasiadamente intensos podem conduzir ao sobretreinamento.

Sendo assim, é fundamental para o professor/treinador ter ao seu alcance métodos que lhe permita avaliar a intensidade das cargas e que o ajude a definir um sistema ou estratégia de organização do treinamento que lhe permita atingir os seus objetivos, tanto para o sistema de treinamento, como no caso do esporte para participação na competição. Utilizando métodos específicos de controle poderá, entre outras coisas, avaliar cada momento a evolução dos níveis de aptidão motora de seu aluno/atleta ou equipe, ou mesmo ajustar a intensidade do treino e realinhar para os seus objetivos, ganhando excelência no processo de preparação física e/ou ganho de performance esportiva.

Os praticantes são estimulados frequentemente a se submeterem às altas cargas de treinamento (duração, intensidade e frequência dos estímulos), compreendendo a carga de treinamento como um estímulo funcional, capaz de provocar distúrbios no estado de equilíbrio de nosso corpo, conhecido como homeostase (equilíbrio dinâmico) de células, tecidos e órgãos, causando adaptações físicas e ou psicológicas. Uma estratégia usual na aplicação das mesmas é a alternância de períodos de cargas altas e baixas de treinamento na busca do aprimoramento da forma física/esportiva. Após um período de cargas altas de treinamento pode haver uma diminuição do desempenho o qual, com a recuperação devida, retorna a níveis similares ou superiores de rendimento. No entanto, essa elevação das cargas de treinamento pode não somente gerar adaptações positivas nos atletas e em seu desempenho, como também trazer prejuízos ao aluno/atleta quando o treinamento exceder a capacidade de regeneração individual, causando estagnação ou queda do rendimento e podendo levar a um quadro conhecido como “síndrome do excesso de treinamento” ou overtraining. (NEDERHOF ET AL., 2007).

 

ASPECTOS QUE DETERMINAM O CONTROLE DA CARGA DE TREINO

O conteúdo da carga está relacionado com o que vai ser ministrado na prática no momento do treinamento e pode ser observado pela ótica do nível de especificidade e pelo potencial do treinamento a ser executado. O tipo de carga pode ser diagnosticado como insuficiente, de recuperação, de manutenção, de desenvolvimento e excessiva.  

Quando o assunto se refere ao treinamento de força, um individuo que está iniciando deve utilizar cargas que estão entre 30 a 50% de sua força máxima, com o objetivo de aumentar o seu rendimento. Aqui exclui o atleta de esportes puramente de força, que necessitará de intensidades superiores a 70%. (GOMES, 2002)

Outros aspectos da intensidade devem ser considerados para o trabalho efetivo do treinamento de força. Existe uma relação muito grande entre as repetições com as intensidades, principalmente máximas. Quer dizer que, o aumento progressivo do número de repetições auxilia na melhoria dos resultados, mas assim que os mesmos são alcançados, os efeitos passam a ser negativos.

Atualmente, é notável na prática que as intensidades acima de 90% não têm melhorado de forma significativa o desempenho dos praticantes principalmente especializados nos levantamentos de pesos.

As pesquisas têm identificado que o treinamento dos halterofilistas já não está fundamentado na utilização de cargas com alta intensidade de trabalho. Os treinadores têm procurado utilizar cargas que estão na zona de intensidade de 70 a 80%. Da mesma forma, ocorre nos esportes de resistência de longa duração. Com pessoas sedentárias, os esforços com frequência cardíaca de 130-150 batimentos por minuto (bpm) produzem ótimas adaptações, enquanto que um atleta especializado na mesma prova de fundo necessita aumentar a velocidade da corrida ou treinar grandes volumes para conseguir melhoras significativas em sua capacidade funcional ou em seu rendimento esportivo. (ROMAN 1988).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O os relatos que demonstram que as cargas de treino geram adaptações muito diferentes em diferentes pessoas sugere que o controle do treino se faz necessário, pois na prática os treinadores procuram organizar formas de avaliar e controlar a intensidade da carga com a ideia de diminuir o erro na prescrição do treino. A experiência mostra que estas variam e respondem diferentemente dependendo da modalidade esportiva e podem ser controladas considerando as diferentes áreas da ciência como: medicina, psicologia, fisiologia, bioquímica, matemática entre outras.

 

BIBLIOGRAFIA  CONSULTADA

GOMES, A.C.G. Treinamento Desportivo: Estruturação e Periodização. Editora Art Med. RGSUL, 2002.

NEDERHOF E, LEMMINK KAPM, ZWERVER J, MEEUSEN R. Psychomotor speed is a possible marker for overreaching. Abstract Book of the 10th Annual Congress of the ECSS; 2005, July 13–16; Belgrade. Belgrade, Serbia: European College of Sport Science, 2005: 101

ROMAN, I. Indicadores desplazados de la carga de entrenamiento. La Habana: ISCF, 1988.

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