Fazer exercício, é bom?

Muito se fala sobre a prática regular de exercícios e seus benefícios, tanto para saúde e qualidade de vida quanto para a melhora da aptidão física. Podemos citar como exemplo disso a mídia que, constantemente, produz centenas de matérias e reportagens sobre os benefícios dos exercícios para todos os tipos de população.

Porém, mesmo apesar desse fato, se olharmos o cenário com visão mais crítica, imediatamente percebemos que algo está gigantescamente errado e as contas não fecham. Explico: Mesmo tendo mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil tem menos de 5% de sua população regularmente matriculada nas mais de 31 mil academias espalhadas pelo território nacional. Aqui, vale lembrar que nossa amada pátria ocupa o Segundo lugar no mundo em relação a número de academias perdendo apenas para os E.UA. (IHRSA, 2015).

Outro fator preocupante diz respeito ao aumento expoente do sobrepeso tanto em mulheres quanto em homens. Na década de 70, pouco mais de 18% da população estava acima do peso. Nos dias atuais esses números superam os 50% de Brasileiros com alguns “quilinhos a mais” (Ministério da Saúde, 2014).

Então, depois de todos esses dados, cabe a pergunta: se fazer exercício é bom, por que quase ninguém o faz? A resposta para isso pode ser mais complexa do que pensamos (e muito dolorosa de encarar também). Em meus quase 17 anos de experiência como profissional do fitness tenho alguns palpites que gostaria de dividir aqui, com você, neste canal de comunicação.
Para tanto, elaborei 3 tópicos que acho fundamentais para começar a entender esse quadro (e, por que não, muda-lo). Segue:

1- Precisamos parar de pensar como profissionais e começar a pensar como nossos clientes:
O fato de você gostar de treinar todos os dias é fantástico! Mas isso não quer dizer que nossos clientes compartilhem dessa mesma vontade e disposição. Para entender melhor o quadro, quero que me responda 2 perguntas simples:

a) quantas vezes você começou e parou aulas num curso de inglês?

 b) por que você parou? Se sua resposta para a primeira foi “várias vezes” e para a segunda “por que é chato” temos um grande BINGO! Sim, BINGO!!! Por que é exatamente isso que seu cliente pensa do seu treino…QUE ELE É CHATO! Por isso, pare de pensar de forma quadradinha e vá para a segunda dica, agora!

2- Nossos treinos são chatos: 3×15 para adaptar (ou secar) e 3×8 para crescer podem destruir corações e afastar nossos clientes.
Explico: quando você se prende a velhos paradigmas e pensa em treinos “quadradinhos”, corre o risco de deixar o cliente desmotivado. Entenda que treinos curtos, dinâmicos e motivadores são a diferença entre a vida e a morte no quesito aderência. Por que você acha que métodos alternativos de treinamento vêm ganhando cada vez mais espaço nas academias e centros de fitness? Não acredita? Então responda rapidamente: quantos box de crossfit ou de treinamento funcional abriram atualmente, pelo brasil afora?

3- Ninguém gosta de sentir dor:
A velha máxima “NO PAIN, NO GAIN” pode até ser bacana por se tratar de uma frase de efeito, mas na prática oferece poucos resultados (vide números demonstrados acima). Devemos entender que nossos alunos são as donas de casa, os idosos, advogados, administradores, comerciantes e não grandes atletas que treinam de 4 em 4 anos para ganhar uma medalha olímpica. Dessa forma, tente ajustar o treino para que o volume não seja alto (1 a 2 séries com 8 a 12 repetições, por grupamento muscular, já serve para suprir a necessidade de nosso aluno iniciante). Deixe os treinos extenuantes, até a falha/fadiga, para alunos avançados.

Em suma, sei que muito ainda há para ser feito e que teremos muito trabalho pela frente, mas o futuro é promissor! Pense de forma contemporânea e deixe velhos hábitos de lado. Comece a pensar como cliente e não apenas como profissional da saúde.

E, acima de tudo, ame o que faz!

3 comentários em “Fazer exercício, é bom?

  1. Aparecida Monteiro disse:

    Penso igualmente com relação a treinos extenuantes, afinal quando a nvelhecermos vamos ter que reduzir de acordo com nossa aptidão, porque teremos que oferecer sobrecargas de acordo com a capacidade de cada um e isso no inicio de um programa de treinamento temos que manter porque alguns acham que dar muito ao cliente e fidelizar, mais como você disse somos pessoas com afazeres diarios

  2. Ricardo Mazzeo disse:

    sensacional! parabéns Alexandre! esse é o cenário e graças a novos pensadores e entusiastas do fitness e welness, estamos podendo contornar essa dificuldade em nosso nicho profissional.

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