Encontro exclusivo, realizado no Transamérica Expo Center, apresentou os principais números do maior estudo do mercado fitness brasileiro e recebeu Rivadávia Drummond para falar sobre o que tira o sono dos CEOs
Por Edinei Knop, da Fitness Brasil
26/8/2026
A Avant Première Fitness Brasil Expo 2026 reuniu nesta quarta-feira (26), no Mezanino do Transamérica Expo Center, em São Paulo, os principais líderes do mercado fitness latino-americano. Palestrantes da Expo, CEOs de redes de academias, representantes de fundos de investimento, incorporadoras e lideranças estratégicas do setor participaram do encontro que marcou o lançamento da 5ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil e recebeu o professor Rivadávia Drummond para um painel sobre estratégia, inovação e centricidade no cliente.
Abertura: negócio é criar pertencimento, não vender exercício
Fabio Saba, diretor educacional da Fitness Brasil, abriu a programação questionando como o setor está olhando para as verdadeiras necessidades do público. Para ele, o negócio das academias não é oferecer exercício físico, é criar saúde, pertencimento e senso de comunidade, especialmente diante de uma nova geração que busca menos baladas e álcool e mais convivência ligada ao bem-estar.
Saba foi direto ao traçar a linha que separa quem sobrevive de quem prospera no setor: “Academias que se posicionam apenas pelo exercício competem só por preço. Academias que entregam transformação e relacionamento se tornam insubstituíveis.” Na sua leitura, a diferenciação deixou de ser opcional. Ele recorreu à teoria clássica do marketing dos anos 60, de Theodore Levitt, para reforçar o ponto: o aumento de ofertas semelhantes dentro de um mercado não gera crescimento saudável; o caminho está em investir em inovação, não em mais do mesmo.

O diretor educacional também chamou atenção para um papel do setor pouco discutido nos grandes centros urbanos: a função social das academias no interior do Brasil. Em cidades pequenas, sem shopping ou opções de lazer estruturadas, a academia frequentemente se torna o principal centro de convivência da comunidade. Para Saba, isso não é um detalhe, é o próprio motor da retenção. As pessoas permanecem ativas quando se sentem vistas, quando percebem evolução e quando sentem que fazem parte de algo maior do que uma simples rotina de treino.
Gustavo Almeida: a maior edição da história do evento
Na sequência, Gustavo Almeida, diretor executivo da Fitness Brasil, tomou a palavra para agradecer os presentes, muitos dos quais anteciparam viagens para chegar a São Paulo já na quarta-feira à noite — e reconhecer publicamente o apoio dos patrocinadores diamante e ouro do evento.
Almeida apresentou os números que consolidam a Fitness Brasil Expo 2026 como a maior edição da história do evento: mais de 170 marcas expositoras, com vendas de espaço esgotadas por falta de disponibilidade física; expansão de 5 para 7 pavilhões dentro do Transamérica Expo Center, somando 38 mil metros quadrados de área total; mais de 120 palestrantes confirmados na programação; e expectativa de reunir mais de 45 mil visitantes ao longo dos três dias de evento.
Entre os keynotes internacionais e nacionais confirmados estão nomes como Bryan O’Rourke, Camila Poiano, Clóvis de Barros, Dado Schneider, Gustavo Borges e Letícia Setembro, uma grade que, segundo Almeida, reflete o nível de ambição da edição deste ano.

O diretor executivo também apresentou o ecossistema completo que a Fitness Brasil construiu ao redor do evento principal, e que hoje funciona de forma integrada ao longo do ano todo: o FitBR News, plataforma de notícias e informações sobre o mercado; o FitBR Guia, ferramenta de pesquisa de empresas e marcas do setor fitness, saúde, esporte e bem-estar; o Banco Fitness, com soluções financeiras e seguros sob medida para o ecossistema; o FitBR Cast, podcast oficial da Fitness Brasil; e o próprio Panorama Setorial, descrito por Almeida como o maior e mais completo estudo sobre o mercado fitness no Brasil.
Panorama Setorial: da dificuldade de encontrar dados à fonte oficial do mercado
O Panorama Setorial Fitness Brasil nasceu de um problema concreto: a dificuldade histórica de encontrar dados confiáveis sobre o próprio setor para embasar decisões estratégicas. Anos depois, o estudo se consolidou como referência consultada por investidores, fundos e grandes redes antes de qualquer movimento estratégico relevante no mercado e hoje é regularmente citado por veículos como Exame, Valor Econômico, InvestNews, IstoÉ Dinheiro e Band News, além do Portal ACAD.
Fábio Saba apresentou os destaques da nova edição do Panorama, disponível gratuitamente em três idiomas e organizada em quatro capítulos: praticantes e não praticantes de atividades físicas, raio-x dos centros de atividades físicas, raio-x dos personal trainers no Brasil (capítulo inédito desta edição) e o futuro do mercado fitness.
Praticantes vs. não praticantes: uma demanda reprimida gigantesca
O primeiro capítulo revelou o tamanho real da oportunidade represada no mercado brasileiro. 82% dos não praticantes de atividade física declaram estar insatisfeitos com sua rotina atual, um índice que expõe, segundo os dados, uma insatisfação latente e não resolvida. Mais expressivo ainda: 93% dos não praticantes já treinaram antes e pararam em algum momento da vida, o que indica que a maior parte desse público não é composta por sedentários históricos, mas por ex-praticantes que abandonaram o hábito.
Outro dado chama atenção para o papel da saúde como gatilho de retomada: 54% dos não praticantes já receberam recomendação médica para voltar a se exercitar. Do lado de quem já treina, o comportamento é de forte engajamento: 80% dos praticantes se exercitam entre 4 e 7 vezes por semana, evidenciando que quem cruza a barreira da adesão tende a se tornar um praticante frequente, e não esporádico.
Raio-x dos centros de atividades físicas: recorrência, concentração e desafios de gestão
O segundo capítulo aprofundou a estrutura, distribuição geográfica e operação dos centros de atividades físicas do país. Um dos dados mais relevantes para gestores: academias com maior recorrência de alunos faturam, em média, 2,5 vezes mais do que aquelas com baixa recorrência, um indicador direto de que retenção não é apenas uma métrica de satisfação, mas de rentabilidade.
A concentração geográfica segue expressiva: 25% de todos os centros de atividades físicas ativos do país estão localizados em São Paulo. Já entre os desafios internos de gestão, 93% dos gestores apontam recrutamento e seleção como o maior obstáculo do negócio hoje, à frente de qualquer outra dor operacional citada no estudo.
Na frente tecnológica, 59% dos centros já utilizam inteligência artificial em alguma parte da operação, sinal de que a adoção de IA deixou de ser experimental para se tornar parte do dia a dia de mais da metade do setor. O estudo também identificou um descompasso relevante entre oferta e demanda de modalidades: enquanto 16% da oferta de aulas e estrutura está concentrada em musculação, essa modalidade responde por 39% da concentração real de matrículas, uma lacuna que aponta para uma oportunidade de expansão pouco explorada por muitos gestores.
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O crescimento também aparece nos números de captação: a média de novas matrículas por academia saltou de 581 para 810 entre 2023 e 2025. Já no campo de gestão de ativos, o estudo mostrou que 64% das academias compram equipamentos parcelados em até 24 meses, e 17% não realizam nenhum tipo de manutenção preventiva, um dado que expõe risco financeiro relevante para a operação no médio prazo.
Raio-x dos personal trainers: o capítulo inédito
Pela primeira vez, o Panorama Setorial dedicou um capítulo inteiro à carreira, renda e modelo de negócio dos personal trainers, os profissionais que mais se relacionam diretamente com o aluno no dia a dia. Os números revelam uma categoria com forte potencial, mas ainda pouco estruturada em termos de gestão: 70% dos personal trainers sentem dificuldade em crescer sem precisar trabalhar mais horas, evidenciando um modelo de negócio ainda muito dependente do tempo do próprio profissional.
A dependência de indicação também chama atenção: 66% da captação de novos alunos dos personal trainers depende exclusivamente de indicação boca a boca, sem estratégia de aquisição estruturada. E, mais preocupante do ponto de vista de gestão, 47% dos personal trainers não acompanham nenhum indicador do próprio negócio, nem financeiro, nem operacional.
Ainda assim, o capítulo aponta um horizonte de profissionalização: 84% dos personal trainers acreditam que vão precisar integrar dados de saúde ao próprio trabalho nos próximos anos. Do ponto de vista formal, 56% já têm CNPJ e outros 4% estão no processo de abertura, mas, apesar disso, 47% ainda se veem apenas como profissionais de Educação Física, e não como empreendedores à frente do próprio negócio.
Sobre renda, o estudo identificou que a faixa de carteira entre 11 e 20 alunos é a que concentra a maior proporção de profissionais com renda acima de R$ 15 mil, um dado relevante para quem busca dimensionar o modelo de negócio ideal. Já entre as maiores dificuldades comerciais relatadas, 31% dos personal trainers apontam o gerenciamento de redes sociais como o principal desafio, à frente até mesmo de vendas, citada por 24%.
Sobre tendências emergentes, 51% dos personal trainers acreditam que os medicamentos GLP-1 terão efeitos mistos sobre o setor, enquanto 35% esperam um aumento na demanda por acompanhamento profissional em decorrência do uso desses medicamentos. Em relação ao público atendido, mulheres e pessoas em busca de saúde preventiva formam as duas maiores fatias da carteira desses profissionais, somando 21% e 19%, respectivamente.
O futuro do mercado fitness: gente como diferencial competitivo
O último capítulo do Panorama trouxe os vetores que devem definir a próxima fase de maturidade competitiva do setor. Um dos dados mais contundentes: alunos que passam 30 dias sem treinar apresentam 90% de risco de cancelamento, um alerta direto para a importância de sistemas de reengajamento precoce.
O estudo também trouxe uma provocação conceitual relevante para os gestores presentes: “gente” foi identificado como o fator competitivo mais difícil de qualquer concorrente copiar, enquanto a estrutura física das academias, aos olhos do consumidor atual, praticamente se tornou uma commodity, algo esperado, não mais um diferencial por si só.
Do ponto de vista demográfico, o público 50+ foi identificado como o que mais permanece na academia ao longo do tempo e, ao mesmo tempo, o menos atendido de forma estratégica pelo setor hoje. Já o cluster etário de 35 a 55 anos foi apontado pelos especialistas consultados como o de maior retenção real identificada no mercado.
Outro ponto de atenção levantado pelo relatório diz respeito ao descompasso entre o motivo declarado de cancelamento e a causa real por trás dele, um fenômeno que, segundo o estudo, ainda confunde boa parte dos gestores na hora de desenhar estratégias de retenção. Por fim, a transição de dado para ação foi apontada como o último degrau, e o maior gargalo, do processo de gestão orientada por dados dentro das academias brasileiras atualmente.
A 5ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil está disponível gratuitamente, com todos os dados, gráficos e análises apresentados durante o evento.
O que tira o sono dos CEOs, segundo Rivadávia Drummond
O painel da noite ficou por conta de Rivadávia Drummond, Clinical Professor da Arizona State University, ex-CEO, ex-reitor e uma das principais referências mundiais em inovação, estratégia e futuro dos negócios. Com mais de 30 anos de docência, 20 deles dedicados à educação executiva, Drummond já atendeu empresas como AstraZeneca, Mastercard, HSBC, Bradesco, GM, Petrobras e IBM, é conselheiro do Grupo Ânima e da Vitru, e autor do best-seller de negócios Fazendo a Inovação Acontecer.

Ele abriu o painel perguntando diretamente à plateia: “O que tira o seu sono? O que consome o seu tempo profundamente? O que te causa grande ansiedade, grande estresse?” — uma pergunta que faz há mais de três décadas em conversas com CEOs de diferentes setores, complementada por pesquisas de instituições como Boston Consulting Group, PwC, KPMG, Protiviti e Gartner.
Segundo Drummond, os temas que mais preocupam líderes se repetem, independentemente do porte da empresa ou do setor de atuação: “estratégia, liderança em cenários de incerteza, solidão executiva — vocês têm com quem conversar quando a dúvida e a ansiedade batem? —, controle de custos e finanças, IA e riscos tecnológicos, inovação e modelos de negócio, cultura e Geração Z, e, por fim, reputação e fracasso.”
O fracasso como acelerador de aprendizado
Um dos momentos mais marcantes do painel foi a distinção que Drummond fez entre fracasso, erro e violação. Para ele, o fracasso só acontece em território desconhecido e, embora doloroso, acelera o ciclo de aprendizado de qualquer organização. Já o erro é um desvio de padrão cometido com informação plena disponível para a decisão correta. A violação, por sua vez, é o desvio das próprias regras e leis estabelecidas.
Estratégia, inovação e o erro do brainstorming
Sobre estratégia, Drummond foi direto ao cobrar dos líderes presentes. “Se você tiver que chegar amanhã para o seu time e falar o que é estratégia, você consegue comunicar de um jeito que o time entenda?” Para ele, estratégia é, fundamentalmente, sobre como competir e sem tradução em números claros, qualquer discurso estratégico vira apenas “história da carochinha”.

Ao tratar de inovação, ele desafiou uma prática comum no ambiente corporativo. “Brainstorming não funciona para inovação”, afirmou, argumentando que o formato tende a ser dominado pela opinião do executivo mais graduado da sala e, principalmente, porque não envolve o cliente real no processo. “Qual foi a última vez que você levantou e foi lá ouvir o cliente?”, provocou.
Liderança, integridade e a métrica final da vida
Encerrando o painel, Drummond abordou o tema da liderança sob a ótica da humildade que, para ele, não é subserviência, mas ausência de arrogância. E finalizou com uma reflexão pessoal sobre como mede a própria trajetória, inspirada em seus professores Clayton Christensen e Chan Mo Ku: “Legado, integridade e afeto. Não existe integridade 99%. Integridade é um teste de 100%.”
A Avant Première Fitness Brasil Expo 2026 encerrou com coquetel e networking entre as lideranças presentes, um aquecimento oficial para a maior edição da história do evento. A Fitness Brasil Expo 2026 acontece de 27 a 29 de agosto, no Transamérica Expo Center, em São Paulo (SP).













































































































































































































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