Pesquisa da Fitness Brasil mostra que praticantes treinam para manter a independência no futuro, que gestores planejam ampliar serviços para o público 40+ e que especialistas veem na faixa mais velha um segmento fiel e ainda pouco atendido
Por Redação FitBR News
07/10/2026
Envelhecer com autonomia deixou de ser assunto restrito à geriatria e passou a orientar quem treina, quem prescreve treino e quem administra academias. O Panorama Setorial Fitness Brasil 2026, em sua 5ª edição, mostra esse movimento em três frentes: a motivação dos praticantes, os planos dos gestores e a leitura dos especialistas ouvidos em grupos de discussão.
O praticante quer independência no futuro
Ao explicar por que treinam, os praticantes ouvidos pelo Panorama dão peso a benefícios de longo prazo. Entre as afirmações com forte apoio está “envelhecer com mais autonomia e qualidade de vida”, ao lado de temas como socialização e amizade. As motivações externas, como a influência das redes sociais, ficam em segundo plano.
Quando a pergunta é o que mais motiva a prática, a vontade própria lidera, com cerca de 45% das respostas. Na sequência aparecem a busca por saúde preventiva e qualidade de vida (23%), a melhora da saúde mental e a redução do estresse (10%) e a longevidade e o envelhecimento saudável (10%).
+ Fitness Brasil Expo: o maior evento de fitness, saúde e bem-estar da América Latina
+ Siga a Fitness Brasil no Instagram
+ Faça parte do nosso Canal no WhatsApp
O perfil da amostra ajuda a entender o tema. Pessoas com mais de 60 anos representam 17% dos respondentes, uma das maiores faixas, atrás apenas dos grupos de 41 a 45 anos (18%) e à frente dos de 46 a 50 (16%).
O país envelhece e a demanda acompanha
O pano de fundo é demográfico. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem mais de 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,8% da população.
O próprio Panorama lembra que, de acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 60% dos adultos brasileiros são classificados como inativos ou sedentários. Ou seja, o público que precisa de movimento é grande, e envelhecer com autonomia depende de começar antes da velhice.
Do corpo bonito à vida sem dor
Os grupos de discussão que embasam o capítulo sobre o futuro do mercado apontam uma mudança no motivo de treinar. A razão sai da estética de curto prazo e vai para a saúde e a autonomia, o que amplia o público. Nessa leitura, longevidade passa a significar preparar as pessoas ainda na fase adulta para chegarem melhores a idades mais avançadas.
Os especialistas defendem que o setor adote um discurso mais maduro, que desloque a conversa do preço da mensalidade para o valor de longo prazo. Falar de disposição, sono, prevenção e autonomia de forma concreta aproxima a academia de quem não se sente representado pela comunicação centrada no corpo.
A percepção dos profissionais confirma o rumo. Cerca de 60% dos gestores consideram a motivação por saúde mais forte que a estética entre os novos alunos, e entre os personal trainers o índice chega a 68%.
Gestores e personal trainers já se movimentam
Na pesquisa com gestores, o posicionamento em saúde e bem-estar e a capacitação dos profissionais lideram os planos para os próximos três anos, com 21% cada. Ampliar o atendimento a públicos 40+, 50+ e idosos aparece em 14% das respostas, junto de programas de retenção e reativação.
Programas de longevidade e envelhecimento saudável também estão entre as oportunidades de maior concordância entre os gestores. Cerca de 70% dos centros recebem alunos por indicação médica com frequência ou muita frequência, o que reforça o papel da saúde como porta de entrada.

Do lado dos personal trainers, os idosos respondem por 16% do público atendido. Recuperação e longevidade foram citadas por 11% como serviço de maior valor no futuro, e saúde preventiva e bem-estar é a tendência que mais deve crescer, segundo 34% dos respondentes.
Um público fiel, mas ainda pouco atendido
Para os especialistas, as pessoas mais velhas formam um segmento de grande potencial. Elas valorizam acompanhamento, constância e cuidado, e tendem a construir uma relação mais estável e duradoura com a academia. O resultado seria uma base mais fiel, uma receita mais previsível e menos pressão por captação constante.
Apesar disso, o Panorama observa que esse público ainda é pouco explorado pela comunicação e pela oferta, porque o setor se estruturou historicamente em torno do cliente mais jovem e da estética. Para mudar o quadro, o estudo sugere tratar o grupo como estratégico, com serviços dedicados a saúde, autonomia e convivência, formar profissionais preparados para atendê-lo com segurança e adotar uma comunicação que o represente.
Sobre o Panorama Setorial Fitness Brasil
O Panorama Setorial Fitness Brasil é um estudo realizado pela Fitness Brasil que reúne dados sobre centros de atividades físicas, personal trainers, praticantes e não praticantes, além de grupos de discussão com especialistas sobre o futuro do mercado. A 5ª edição está disponível em três idiomas.














































































































































































































Portuguese
Spanish
Gostou? Compartilhe: