Guia resume o que a ciência mostra sobre exercício antes e depois do diagnóstico, a meta de 150 minutos semanais, os cuidados durante o tratamento e o papel dos profissionais de saúde
Por Redação FitBR News
16/10/2026
No Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, cresce o interesse por um tema que passa pela rotina de academias, clubes e consultórios: o papel do exercício. Sobre atividade física e câncer de mama, o guia “Atividade Física e Câncer: Recomendações para Prevenção e Controle”, publicado em 2022, classifica como alta a certeza da evidência de que a prática reduz o risco da doença.
O documento foi organizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), com o apoio do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e da Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS). Ele reúne as evidências mais recentes para orientar profissionais de saúde.
O cenário do câncer de mama no Brasil
O INCA estima cerca de 78,6 mil casos novos de câncer de mama no triênio 2026-2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras.
O guia lembra que até 50% dos casos de câncer podem ser evitados pela prevenção. No Brasil, cerca de 27% dos casos e 34% das mortes por câncer poderiam ser evitados com um estilo de vida saudável, que inclui não fumar, não consumir bebidas alcoólicas, manter o peso corporal saudável e praticar atividade física regularmente.
Atividade física e câncer de mama: o que a ciência mostra
Para a prevenção do câncer de mama, a certeza da evidência é alta. Isso significa que é pouco provável que novos estudos mudem de forma importante o efeito já observado.

Segundo as revisões analisadas, praticar qualquer atividade física está associado a um risco 12% menor de câncer de mama, em comparação com a inatividade. A redução aparece antes e depois da menopausa, com 13% e 12%, respectivamente. Há ainda uma relação entre quantidade e benefício: o risco é 5% menor a cada duas horas semanais adicionais de atividades moderadas a vigorosas.
O benefício também não depende de um tipo específico de exercício. Atividades de lazer, caminhadas, tarefas domésticas e atividades do trabalho aparecem associadas a menor risco, com reduções de 13%, 13%, 11% e 16%, respectivamente. Esses números indicam associação em grupos de mulheres, e não uma garantia individual de proteção.
Quanto praticar para reduzir o risco
Para adultos e idosos, com ou sem diagnóstico de câncer, o guia recomenda ao menos 150 minutos semanais de atividade moderada, 75 minutos de atividade vigorosa ou uma combinação equivalente. A recomendação é classificada como forte. Para ganhos adicionais, a sugestão é superar 300 minutos semanais de atividade moderada, ou 150 minutos de atividade vigorosa.
Na atividade moderada, a pessoa respira mais rápido que o normal e consegue conversar apenas com dificuldade. Na vigorosa, não consegue conversar enquanto se movimenta.
O documento também reforça que todo movimento conta. Mesmo quem não atinge o tempo recomendado reduz o risco. Caminhar, pedalar, dançar, passear com o animal de estimação, praticar esportes, fazer musculação e realizar tarefas domésticas entram na conta.
Depois do diagnóstico, a orientação é manter-se ativo
Estudos e posicionamentos científicos da última década ajudaram a quebrar o paradigma de que pessoas com câncer deveriam descansar e evitar esforços físicos. O guia afirma que todo sobrevivente do câncer, ou seja, qualquer pessoa a partir do diagnóstico, deve ser incentivado a se manter ativo durante o tratamento e por toda a vida.
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No câncer de mama, a certeza da evidência sobre esse benefício é moderada. Revisões citadas no guia associaram maiores quantidades de atividade física após o diagnóstico a uma redução de 38% no risco de morte pela doença e de 32% no risco de recorrência. O efeito aparece independentemente do status hormonal e do peso corporal.
Em geral, a prática é considerada tolerável e segura, inclusive durante quimioterapia, radioterapia e terapia hormonal. O exercício também pode atenuar efeitos do tratamento, como linfedema, fadiga, fraqueza, sintomas depressivos e ganho de peso. Além disso, quem se exercita sob supervisão de profissionais de saúde tende a ter mais adesão e melhores resultados.
Cuidados para quem trata o câncer de mama
O guia sugere que a pessoa converse com a equipe médica antes de começar e inicie com menor duração e intensidade, aumentando de forma gradual. Os programas supervisionados devem combinar exercícios aeróbicos, de força muscular e de amplitude articular, como os alongamentos.
No caso do câncer de mama, os exercícios com membros superiores exigem atenção em caso de inchaço no braço ou no ombro e devem ser evitados se houver dor intensa. Roupas compressivas podem trazer conforto e segurança, e são fortemente indicadas na presença de linfedema. Já as atividades que aumentam força e flexibilidade são importantes para mulheres com movimento limitado por cirurgia na mama ou na axila.
A prática é contraindicada em caso de infecção, febre, dor intensa ou dor no peito ainda não investigada.
O papel das academias e dos profissionais de Educação Física
O guia orienta os profissionais de saúde a encaminhar pessoas que precisam de orientação ou supervisão a fisioterapeutas e profissionais de Educação Física. O documento não trata de academias especificamente, mas mostra por que equipes preparadas e em diálogo com a equipe de saúde podem ter um papel relevante.

O desafio é considerável. Em 2019, mais da metade dos brasileiros foi classificada como fisicamente inativa: 13,9% não praticavam nenhuma atividade e 44,8% não atingiam os níveis recomendados, segundo dados citados no guia. Entre os sobreviventes de câncer, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013 indicou que 31,6% não faziam ao menos 150 minutos semanais.
É importante destacar que a atividade física complementa, e não substitui, o rastreamento e o acompanhamento médico. Antes de começar, quem tem diagnóstico ou histórico de câncer deve procurar orientação profissional.
Onde ler o guia
O documento está disponível em formato eletrônico no site da SBOC e no portal do INCA. O Ministério da Saúde também mantém o Guia de Atividade Física para a População Brasileira, com orientações para incorporar o movimento ao dia a dia.













































































































































































































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