Levantamento da Fitness Brasil mapeia mais de 108 mil estabelecimentos ligados ao setor e mostra que Vitória e Florianópolis, e não São Paulo, têm a maior densidade de academias do país
Por Redação FitBR News
16/9/2026
Quanto mede, de fato, o mercado fitness brasileiro? A 5ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil dedica seu segundo capítulo, o mais extenso do estudo, a responder essa pergunta com profundidade. O levantamento cruza dados do CONFEF, da Receita Federal, da plataforma ABC EVO e do público que se inscreve na Fitness Brasil Expo para construir um retrato do tamanho, da distribuição geográfica e da saúde operacional dos centros de atividades físicas do país.
Profissionais registrados: crescimento nacional, com exceção de um estado
O CONFEF registrou crescimento no número de profissionais de Educação Física em praticamente todo o país entre 2025 e 2026. Os maiores avanços percentuais aconteceram no Tocantins, com alta de 9,96%, em Pernambuco, com 9,64%, em Sergipe, com 8,82%, e no Maranhão, com 8,62%. São dados que evidenciam uma expansão da base profissional puxada por estados fora do eixo tradicional.
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Em números absolutos, São Paulo segue disparado como o maior mercado do país, somando 206.281 profissionais registrados em 2026, contra 203.058 no ano anterior. Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná completam o grupo dos maiores mercados. O único estado a registrar retração foi o Rio de Janeiro, com queda de 0,6%, caindo de 68.629 para 68.219 profissionais. É uma exceção isolada num cenário de crescimento generalizado.
A densidade que revela onde o mercado ainda pode crescer
Olhar apenas para o volume absoluto de profissionais esconde uma informação estratégica: a densidade por habitante. Segundo o CONFEF, o Brasil tem hoje aproximadamente 1 profissional de Educação Física para cada 295 habitantes, média nacional que subiu de 32,5 para 33,9 profissionais a cada 10 mil habitantes.
O Distrito Federal lidera com folga essa densidade, com 69 profissionais por 10 mil habitantes, seguido por Santa Catarina, com 54, e Mato Grosso do Sul, com 47. No outro extremo, Maranhão, com 14, Bahia, com 16, e Pará, com 19, têm as menores densidades do país. São estados que, segundo o próprio estudo, representam justamente onde existe mais espaço para formar e atrair novos profissionais, desde que exista demanda local sustentada por renda e estrutura de mercado.
Quantos centros de atividades físicas o Brasil tem e onde eles estão mais concentrados
Cruzando a base de dados do CONFEF, o Panorama estima que existam aproximadamente 2,9 centros de atividades físicas para cada 10 mil habitantes no Brasil. Santa Catarina lidera esse indicador com folga, com 5,1 centros por 10 mil habitantes, seguido por Distrito Federal, com 4,7, e Espírito Santo, com 4,4. Os menores índices aparecem no Amazonas, com 1,5, no Acre, com 1,8, e em Rondônia e Pará, ambos com 1,9.
O cruzamento entre profissionais e centros também traz um dado prático de planejamento. De 2025 para 2026, os CNPJs cadastrados no CONFEF cresceram 4,3%, enquanto os profissionais cresceram 4,1%, um crescimento praticamente equilibrado entre estrutura e mão de obra. Na média nacional, existem 11,5 profissionais para cada centro de atividades físicas.

O ranking das capitais: Vitória e Florianópolis na frente de São Paulo
Um dos dados mais reveladores do capítulo desmonta uma intuição comum: a de que os maiores mercados em volume absoluto são também os mais densos. Em julho de 2026, Vitória lidera o ranking de densidade entre as capitais brasileiras, com 8,1 centros de atividades físicas por 10 mil habitantes, totalizando 262 estabelecimentos ativos, seguida por Florianópolis, com 7,5, somando 449 estabelecimentos, e Aracaju, com 5,7.
Campo Grande, Goiânia e Cuiabá também se destacam, com cerca de 5 centros por 10 mil habitantes cada. Já São Paulo e Rio de Janeiro, que concentram os maiores volumes absolutos do país, com 3.980 e 2.103 centros ativos, respectivamente, apresentam densidades bem mais modestas: 3,3 e 3,1 centros por 10 mil habitantes, ficando atrás de diversas capitais de menor porte populacional. Na outra ponta da tabela está Rio Branco, com apenas 0,9 centro por 10 mil habitantes, a menor densidade entre todas as capitais.
O retrato formal do setor pelos CNAEs: 108 mil estabelecimentos mapeados
Para além dos registros profissionais, o Panorama recorre à Classificação Nacional de Atividades Econômicas para dimensionar a estrutura empresarial do setor. Foram considerados três CNAEs: 8.591.100, referente a centros de ensino de modalidades esportivas, 9.311.500, referente a locais para eventos esportivos, e 9.313.100, referente a espaços de prática de atividades físicas, como academias de musculação, pilates e yoga.
Com base nos registros da Receita Federal, foram identificados 108.179 estabelecimentos vinculados a essas atividades no Brasil. Desse total, 55.068 estão ativos, uma taxa de atividade de 51%, enquanto os demais se dividem entre registros baixados, com 35%, e inaptos, com 14%.
Por que os estabelecimentos fecham e o que isso revela sobre o dinamismo do setor
Entre os centros inativos, a maioria segue um padrão estável em relação à edição anterior do estudo. 66% encerraram as atividades por extinção voluntária, uma leve queda frente aos 69% de 2025, 29% estão inativos por omissão de declarações fiscais, alta em relação aos 27% do ano passado, e 5% por outros motivos administrativos.

Com cerca de dois terços dos registros inativos ligados a encerramento voluntário nas duas últimas edições, o dado reforça uma leitura importante. O setor vive uma dinâmica constante de renovação, em que a saída formal de operações convive com a entrada contínua de novos estabelecimentos, não necessariamente um sinal de crise, mas de um mercado maduro e em movimento.
Onde estão os centros de atividades físicas do Brasil
A distribuição geográfica dos registros ativos segue, como seria de esperar, a concentração populacional e econômica do país. São Paulo reúne 25% de todos os registros ativos do Brasil, seguido por Minas Gerais, com 11%, e por um pelotão equilibrado formado por Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul, cada um com 7%.
Na análise por município, no entanto, nenhuma cidade concentra parcela expressiva o suficiente para caracterizar uma predominância absoluta. São Paulo capital soma 8% dos registros nacionais, Rio de Janeiro 3%, e Brasília, Belo Horizonte e Curitiba, 2% cada. Essa baixa concentração municipal evidencia a ampla capilaridade dos centros de atividades físicas pelo território nacional. O mercado fitness brasileiro não é um fenômeno de poucas grandes cidades, mas uma presença distribuída.
O que os dados da ABC EVO revelam sobre o que realmente gera valor
A seção mais analítica do capítulo cruza dados agregados de milhares de academias e estúdios clientes da plataforma ABC EVO para testar hipóteses sobre o que realmente sustenta o desempenho de um centro de atividades físicas. O recorte central é a recorrência, o percentual de alunos em planos com renovação e cobrança automáticas.
Os números são categóricos. Academias com recorrência acima de 76% apresentam o menor churn do estudo, 9,68%, contra 12,72% nas operações com recorrência entre 0 e 25%. Apresentam também o maior tempo de permanência do aluno, 10,36 meses contra 7,93 meses nas menos recorrentes, a maior base ativa de alunos, em média 1.026 contra 401, e o maior LTV, o valor total gerado pelo cliente, de R$ 1.521,25 contra R$ 1.093,74.
O dado mais contraintuitivo do capítulo, porém, está no ticket médio. São justamente as academias com menor recorrência que praticam o maior ticket médio, R$ 140,11, e, ainda assim, entregam o menor LTV. Em outras palavras, o aluno mais valioso não é necessariamente o que paga mais caro, é o que permanece por mais tempo. A receita média mensal por academia também cresce de forma expressiva conforme a recorrência aumenta, de R$ 10.613,14, nas operações com recorrência mais baixa, para R$ 26.194,21, nas de recorrência mais alta, uma diferença de mais de 2,4 vezes.
O perfil de quem participa da Fitness Brasil Expo 2026
O capítulo fecha com uma análise inédita: o perfil dos centros de atividades físicas que se inscreveram na própria Fitness Brasil Expo, permitindo entender quem busca conteúdo, soluções e networking no principal encontro da indústria fitness do país.

Os números mostram uma amostra dominada por operações enxutas, mas nem por isso pequenas em alcance. 75% dos centros participantes atuam com até 10 funcionários, e 75% possuem apenas uma unidade. Ainda assim, 54% desses centros atendem entre 101 e 1.000 alunos, evidência de que porte reduzido de equipe não significa baixa capacidade de atendimento. Em faturamento, 40% dos participantes faturam mensalmente entre R$ 10 mil e R$ 49 mil.
O ponto de virada operacional: 1.000 alunos
Um dos achados mais úteis para gestores em fase de crescimento está no cruzamento entre número de alunos e tamanho de equipe. Centros com até 1.000 alunos operam, na esmagadora maioria, com equipes enxutas de até 10 funcionários, 98% na faixa de 1 a 100 alunos e 91% na faixa de 101 a 1.000. O ponto de virada acontece exatamente na faixa de 1.001 a 2.000 alunos, quando equipes de 11 a 100 funcionários saltam para 58% e passam a predominar.
Acima de 2.000 alunos, não existe mais um modelo único. Os três portes de equipe coexistem, com 11% ainda em estrutura enxuta, 37% na faixa intermediária e 52% com mais de 100 funcionários, sinal de que, a partir de determinada escala, a complexidade de gestão exige reforço estrutural proporcional.

Crescimento não depende só de abrir novas unidades
Outro dado relevante para quem pensa estratégia de expansão: entre os participantes da Expo, o crescimento de faturamento não está necessariamente ligado à abertura de novas unidades. A concentração de faturamento nas faixas intermediárias, entre R$ 10 mil e R$ 500 mil mensais, mostra que parte relevante dos negócios com uma única unidade já alcança receita significativa sem ampliar presença geográfica. O padrão de multiunidades só se torna dominante nas faixas mais altas. Acima de R$ 500 mil de faturamento mensal, 74% dos participantes já operam com mais de três unidades.
O que esses dados dizem sobre o tamanho real do mercado
Reunidos, os números do capítulo 2 desenham um mercado fitness brasileiro grande, formalizado de maneira desigual entre os estados, e ainda concentrado nos eixos Sudeste e Sul, mas com sinais claros de que a densidade proporcional, e não apenas o volume absoluto, é o indicador que melhor revela onde estão as oportunidades reais de expansão. Estados como Maranhão, Bahia, Pará e Amazonas aparecem repetidamente entre os de menor densidade de profissionais e de centros por habitante, territórios que, segundo o próprio Panorama, podem representar a próxima fronteira de crescimento do setor, desde que acompanhados de demanda local e estrutura de mercado compatível.
Ao mesmo tempo, os dados agregados da ABC EVO deixam um recado direto para qualquer gestor, independentemente do tamanho da operação. O verdadeiro motor de crescimento sustentável não está no ticket médio mais alto, mas na capacidade de reter o aluno por mais tempo através da recorrência, o indicador que, segundo o estudo, mais se associa a estabilidade, maturidade operacional e geração de valor no longo prazo.
A 5ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil está disponível gratuitamente, em três idiomas. Clique aqui para fazer o download do estudo.













































































































































































































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