Esporte adaptado e Paralimpíadas: saúde, performance e vida!

Além de controlar a pressão e o colesterol, contribuir para a manutenção saudável do peso, prevenir o aparecimento de comorbidades, a atividade física traz benefícios sociais e psicológicos à pessoa com deficiência. E tudo isso ainda pode levá-la a desenvolver performance e chegar a uma Paralimpíada!

Por Yara Achôa, Fitness Brasil
30/8/2021

A prática regular de exercícios – cerca de 30 minutos, três ou quatro vezes por semana -, contribui para a melhora de qualidade de vida de qualquer pessoa: aumenta a resistência, mantém o peso saudável, previne doenças. Para a pessoa com deficiência é ainda mais importante por ajudar a evitar o aparecimento de deficiências secundárias, como obesidade, e controlar distúrbios crônicos já instalados, como hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia (colesterol ou triglicérides altos) e cardiopatias.

Para quem convive cotidianamente com limitações – o indivíduo que tem paralisia cerebral, por exemplo, sofre com falta de equilíbrio; o cego tem dificuldade de orientação espacial –, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de habilidades são outros importantes ganhos. Dentro de uma variada gama de modalidades, os exercícios ajudam a melhorar força, coordenação, flexibilidade, equilíbrio, agilidade e coordenação motora. “Tudo isso colabora para que a pessoa tenha mais independência e autonomia no dia a dia”, diz o treinador Mário Mello, representante da Achilles International no Brasil, organização sem fins lucrativos que tem como objetivo motivar atletas amadores com deficiência a praticar esportes.

O caráter social da atividade física também merece destaque. Ao sair de casa, o praticante passa a estabelecer novos vínculos e a traçar novos objetivos. “Familiares, médicos, fisioterapeutas devem estimular, apresentar opções de atividades. Mas é preciso que ele tenha vontade e encontre uma modalidade de seu interesse”, diz o professor.

E ainda há a questão do resgate autoestima – muitíssimo importante para quem enfrenta desafiantes realidades. “O esporte transforma! Muitos chegam tristes, achando que a vida acabou. Mas iniciar uma prática ajuda o indivíduo a redescobrir seu valor, acreditar em suas possibilidades e melhorar sua autoestima”, afirma Mello. E mais: o exercício contribui para diminuição da ansiedade e combate a depressão, graças ao aumento das doses de endorfina e serotonina – neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer, bem-estar e de alívio da dor -, no organismo após o esforço.

Até aqueles que possuem mobilidade muito reduzida são capazes de se encontrar em alguma categoria. Existem diversas modalidades – nos jogos paralímpicos são 22 opções, praticadas por atletas com maior ou menor grau de comprometimento. É importante apenas que toda orientação seja feita por médicos, fisioterapeutas e educadores físicos aptos. Independente de performance, os benefícios físicos, psicológicos e sociais são garantidos.

Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020

As Paralimpíadas seguem até o próximo dia 5 de setembro. O Comitê Paralímpico Brasileiro preparou um guia com respostas às principais dúvidas sobre os Jogos de Tóquio e a participação brasileira no Japão. Confira:

Quantos atletas estão na delegação do Brasil?

A delegação brasileira é composta por 259 atletas (incluindo atletas-guia, calheiros, goleiros e timoneiro), além de comissão técnica, médica e administrativa, totalizando 435 pessoas. Jamais uma missão brasileira em Jogos Paralímpicos no exterior teve tamanha proporção. Na última edição fora do Brasil, em Londres 2012, o Brasil compareceu com 178 atletas, até então a maior. O número para a capital japonesa só é superado pela participação nos Jogos Rio 2016, já que o Brasil garantiu vagas em todas as modalidades por ser país-sede e contou 286 atletas no total, ficando em oitavo lugar no ranking de medalhas.

Qual a quantidade de atletas paralímpicas mulheres que estão representando o Brasil nos Jogos de Tóquio?

A delegação brasileira paralímpica será composta por 163 atletas homens e 96 atletas mulheres, o que significa uma representatividade de cerca de 37% feminina entre o total da delegação brasileira paralímpica que está no Japão. O aumento da participação das atletas em todas as modalidades paralímpicas é um dos pilares do planejamento estratégico 2017-2024 do CPB. A meta para os próximos anos é ocupar todas as vagas femininas que houver na delegação brasileira para a disputa dos Jogos. Para Tóquio 2020, a marca não foi possível porque o basquete feminino não se classificou.

Em quais modalidades o Brasil compete?

Atletas paralímpicos brasileiros estão nas disputas de 20 das 22 modalidades do programa dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, são elas: atletismo, bocha, canoagem, ciclismo, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5, goalball, halterofilismo, hipismo, judô, natação, parabadminton, parataekwondo, remo, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, tiro esportivo e vôlei sentado. O Brasil só não possui participantes no basquete em cadeira de rodas e no rúgbi em cadeira de rodas.

Qual é a modalidade com o maior número de atletas em Tóquio?

A modalidade com o maior número de atletas é o atletismo, com 65 representantes e 19 atletas-guia.

Como foi a preparação?

A preparação dos atletas paralímpicos durante a pandemia foi realizada em formato de bolha no Centro de Treinamento Paralímpico desde o dia 7 de julho de 2020, quando houve a reabertura parcial do local após aprovação da prefeitura de São Paulo. O CT Paralímpico foi o espaço no qual a maioria das seleções brasileiras realizou sua preparação, obedecendo a rígidos protocolos de saúde e segurança. Em maio de 2021, o Brasil recebeu a doação do COI (Comitê Olímpico Internacional) de vacinas da Pfizer e da Coronavac para aplicação em atletas, comissão técnica, estafe, e demais membros da delegação brasileira que seguiria para Tóquio a partir de 5 de agosto.

Qual a meta do Brasil em Tóquio?

Em seu Planejamento Estratégico, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) estabeleceu como meta manter-se entre as dez principais potências do planeta nos Jogos Paralímpicos. O objetivo para Tóquio 2020 é ficar no top 10 no quadro geral de medalhas (hoje, 30 de agosto, o Brasil encontra-se em sexto lugar).

Qual será a premiação dos atletas paralímpicos pelas medalhas conquistadas em Tóquio?

Os medalhistas de ouro em provas individuais receberão R$ 160 mil por medalha, enquanto a prata renderá R$ 64 mil cada e o bronze, R$ 32 mil. O título paralímpico em modalidades coletivas, por equipes, revezamentos e em pares (bocha), valerá um prêmio de R$ 80 mil por atleta. Já prata, neste caso, será bonificada com R$ 32 mil e o bronze, com R$ 16 mil. Demais integrantes das disputas, atletas-guia, calheiros, pilotos e timoneiro, vão receber 20% da maior medalha conquistada por seu atleta e 10% a cada pódio a mais do valor da medalha seguinte.

Quem é o maior medalhista do Brasil em Jogos Paralímpicos?

Maior referência atual da natação brasileira paralímpica, Daniel Dias (classe S5) é o atleta com mais pódios na história do Brasil, com 24 medalhas em apenas três edições dos Jogos, sendo 14 de ouro, sete de prata e três de bronze. Apenas em Londres 2012, quando foi porta-bandeira da delegação, foram seis medalhas de ouro nas seis provas individuais disputadas, o que também fez o nadador ser o principal atleta do país com maior quantidade de “pódios dourados”.

Quem são os profissionais que ajudam os atletas?

Além dos 259 atletas convocados para representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, sendo 163 homens e 96 mulheres, o Brasil será representado por outros 174 profissionais atuantes em comissões técnica, médica e administrativa. São 11 médicos, sete preparadores físicos, nove oficiais administrativos, três psicólogos, 19 apoiadores, quatro enfermeiros, 23 fisioterapeutas, entre outros.

Quantos atletas com deficiência severa (classes baixas) compõem a delegação?

Dos atletas com deficiência, 68 serão das chamadas “classes baixas” (com deficiência mais severas). São 42 homens e 26 mulheres que fazem parte deste grupo e que representarão o país no Japão a partir de agosto. Destes, 50% (ou 34) têm deficiência física, 36,76% (ou 25) têm deficiência visual, e 13,23% (ou 9) têm deficiência intelectual.

Qual deficiência é mais presente na delegação?

Dos atletas paralímpicos convocados para os Jogos de Tóquio, a deficiência física é a mais presente, com uma representação de 72,9% entre o total dos participantes. Logo em seguida, com um quantitativo de 23,2%, estão os atletas com deficiência visual, enquanto os participantes com deficiência intelectual são 3,9% do total dos atletas.

Quem são os atletas mais jovens da delegação?

Na convocação para Tóquio, 39 participantes que irão competir no Japão terão menos de 23 anos na competição, cerca de 17% do total da equipe nacional paralímpica.  Entre eles, está o nadador mineiro João Pedro Brutos, de Uberlândia, que será o atleta mais novo a compor a delegação brasileira paralímpica nos Jogos. Nascido em 3 de junho de 2004, o jovem da classe S14 terá apenas 17 anos e dois meses quando os Jogos começarem no Japão.

Onde assistir aos Jogos Paralímpicos de Tóquio?

Os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 contam com a transmissão ao vivo dos canais SporTV. Na TV aberta, a TV Brasil é a emissora oficial dos Jogos. A Agência Brasil, a Rádio Nacional e as redes sociais da EBC também reforçam a cobertura do evento esportivo. Já a TV Globo deve exibir a semifinal e a final do futebol de cinco, na hipótese (muito provável) de participação do Brasil. As redes sociais e o site do CPB também vão dar ampla cobertura à participação dos atletas brasileiros nos Jogos Paralímpicos de Tóquio.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro

Fotos: Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) – @ocpboficial

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