Com mais de 534 mil licenças por transtornos mentais em 2025, empresas aceleram a adoção de soluções de saúde física e mental e o mercado fitness tem papel central nessa transformação
Por Redação FitBR News
17/6/2026
A saúde mental tornou-se uma das maiores pautas do mundo corporativo brasileiro e os números explicam por quê. Em 2025, o Brasil registrou o maior índice de afastamentos da história, com mais de 534 mil licenças por transtornos mentais e comportamentais, segundo dados do INSS consolidados pelo Data Cajuína. Diante desse cenário, as empresas aceleraram a oferta de benefícios ligados a saúde e bem-estar, um movimento que conecta diretamente o mundo corporativo ao mercado fitness.
A explosão dos benefícios de bem-estar
O crescimento da adesão a soluções de bem-estar foi expressivo ao longo do último ano. Segundo o Panorama do RH 2026, levantamento realizado pela Caju, o número de usuários com assinatura ativa em soluções de bem-estar cresceu 144% ao longo de 2025.
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O dado mais relevante, porém, não é a adesão inicial, mas a permanência. Cerca de 90% dos assinantes permaneceram ativos em 2025, realizando check-ins presenciais ou utilizando aplicativos parceiros voltados para fitness, saúde mental, nutrição e bem-estar de forma contínua. Isso indica uma mudança de comportamento profunda: o cuidado com a saúde física e mental deixou de ser pontual para se tornar parte da rotina.
O comportamento sazonal do autocuidado
Os dados revelam um padrão de uso que dialoga diretamente com a realidade das academias. O início do ano concentra o maior nível de utilização do benefício, impulsionado por novos hábitos e metas pessoais, quando a taxa de uso chega a 94%, contra 90% da média anual. Em março, há um leve ajuste de rotina após o Carnaval, seguido por uma retomada entre abril e maio, período em que o autocuidado passa a se consolidar na agenda dos colaboradores.
O segundo semestre apresentou uma desaceleração, associada às férias escolares e ao foco familiar. Setembro e outubro registram um novo pico de adesão e check-ins, possivelmente influenciado por campanhas internas e ações estruturadas de RH, enquanto novembro e dezembro apresentam queda natural em função do encerramento do ciclo anual, recessos e festas de fim de ano.
As empresas estão investindo mais e a NR-1 acelera isso
Esse movimento não é apenas uma escolha das empresas, é também uma resposta a uma exigência regulatória. O avanço acontece em meio ao amadurecimento das discussões sobre saúde mental no ambiente corporativo e ao avanço das exigências relacionadas à NR-1, norma que reforçou a necessidade de monitoramento e gestão de riscos psicossociais nas organizações. Na prática, cuidar da saúde mental dos colaboradores deixou de ser um diferencial e passou a ser uma obrigação legal.

A conexão com o mercado fitness
Esse cenário representa uma das maiores oportunidades de crescimento para academias e estúdios no Brasil. O canal corporativo, via agregadores e benefícios de bem-estar, já é uma realidade consolidada no setor. Segundo a 4ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil, 77% dos centros de atividades físicas já atuam em parceria com algum agregador de academias, e o número de estabelecimentos que mantêm esse tipo de parceria cresceu 9% em relação ao ano anterior.
A relação entre exercício físico e saúde mental, por sua vez, tem respaldo científico cada vez mais sólido. A prática regular de atividade física tem efeito comprovado na redução de sintomas de depressão e ansiedade, independentemente da idade ou do nível de condicionamento. Para o mercado fitness, isso significa que a academia deixou de ser apenas um espaço de estética ou performance para se tornar uma peça central na infraestrutura de saúde, inclusive mental, da população.
O que isso significa para gestores e profissionais
Para o gestor de academia, o recado é estratégico. O crescimento dos benefícios corporativos de bem-estar amplia a base potencial de alunos e cria uma demanda recorrente que tende a se consolidar ao longo dos próximos anos. Posicionar a academia como parceira da saúde mental, e não apenas física, dos colaboradores das empresas pode ser um diferencial competitivo relevante, especialmente em parcerias B2B e na captação via agregadores.
Para o profissional de Educação Física, abre-se um campo de atuação mais amplo e mais valorizado: o de agente de saúde integral, capaz de impactar não apenas o corpo, mas o bem-estar emocional de quem treina.
Este conteúdo aborda saúde mental, um tema sensível. Se você está enfrentando dificuldades emocionais, procurar o apoio de um profissional de saúde qualificado é sempre a melhor decisão.













































































































































































































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