Em entrevista, Julio Miglioli, diretor de Marketing da Konnen Fitness, fala sobre o crescimento do setor, os pilares que sustentam uma academia de sucesso e os planos da importadora para acompanhar a expansão do mercado brasileiro
Por Edinei Knop, Fitness Brasil
22/7/2026
As tendências do mercado fitness brasileiro apontam para um cenário de crescimento consistente, mas também de maior complexidade na gestão. Nesse contexto, o FitBR News conversou com Julio Miglioli, diretor de Marketing da Konnen Fitness, representante mundial de uma das maiores fabricantes de equipamentos do mundo. Na conversa, ele detalhou os números que sustentam o otimismo do setor, os erros mais comuns cometidos por gestores e como a empresa contribui com o desenvolvimento de seus clientes.
O mercado que dobrou de tamanho
Os números do setor fitness brasileiro impressionam. “Em 2019, apenas 4% da população estava matriculada em uma academia; eram, por volta de, 37 mil CNPJs com finalidade de condicionamento físico. Hoje nós temos mais de 62 mil CNPJs, mesmo depois da pandemia, que quebrou muitas empresas. Ou seja, o mercado dobrou de tamanho”, explica Miglioli. Segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil 4ª edição, a penetração da população matriculada em academia já ultrapassa os 7%, o que reforça essa trajetória de expansão acelerada.
Para o diretor, esse crescimento tem explicações claras. “Há uma conscientização no pós-pandemia que prioriza a saúde virando, até, um lifestyle. O perfil das novas gerações também contribui: hoje eles consomem menos bebida alcoólica, vão menos para festas e buscam uma vida mais saudável”, observa.

O crescimento também atraiu investidores sem experiência no setor. “O nosso segmento virou uma atração, um potencial lucrativo de investimento. A venda parcelada dos equipamentos fez com que muita gente que não tinha capital fosse capaz de investir”, explica. Mas esse boom trouxe consigo um problema recorrente. “Temos muitos gestores que não são profissionais de Educação Física, que não são, necessariamente, empreendedores do mercado. Com isso, há erros estratégicos e decisões equivocadas que estão custando a falência de muitas academias. E não é por falta de aluno, não é por falta de oportunidade de mercado. É por erros estratégicos.”
Os dois pilares de uma academia de sucesso
Diante de um cenário de concorrência crescente, com academias que já foram muito rentáveis vendo seu faturamento cair após a chegada de novos concorrentes na região, Miglioli defende que existem dois pilares fundamentais que todo gestor precisa priorizar.
“O primeiro ativo, o mais importante de qualquer negócio, não é só das academias, mas as academias talvez estejam num grupo seleto, como médicos e professores, em que o presencial tem um poder muito grande. Estamos falando sobre pessoas, sobre o senso de comunidade, sobre se sentir parte e poder ser olhado”, afirma. Nessa lógica, a qualificação profissional é decisiva. “Um dos principais pontos de evasão das academias é a falta de resultado. Você precisa ter profissionais qualificados e um formato que retenha o aluno através da personalização do treino e de uma atenção real.”
O segundo pilar, segundo o diretor, é a estrutura e, dentro dela, os equipamentos ocupam papel central. “Quando você vê que um dos motivos de as pessoas não se matricularem em academias é a falta de tempo, e você tem uma unidade lotada no horário de pico com duas ou três máquinas quebradas, além do desconforto e da frustração, você gera fila e atraso. E, hoje, o tempo é uma das coisas mais valiosas que existem.”
O impacto financeiro desse problema é maior do que muitos gestores imaginam. “Se você fizer uma conta simples, esse gestor perdeu 10, 15, 20 alunos a cada equipamento quebrado. Ao longo de cinco, seis, sete, oito anos, ele teve de 200 a 400 mil reais de prejuízo real, somente porque o equipamento estava quebrado”, calcula Miglioli.
A tendência dos equipamentos articulados
Entre as tendências mais relevantes para atender o novo perfil de público que chega às academias — mais jovem, mais idoso, mais diverso em biotipos e objetivos —, Miglioli destaca a importância da variedade e da ergonomia dos equipamentos. “Precisamos atender o iniciante, o amador, o profissional, pessoas de estatura baixa, média ou alta. Por isso, a importância de ter equipamentos com maior número de ajustes e cuidado com ergonomia e biomecânica, para que a maior parte das pessoas se adeque ao equipamento.”
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Um exemplo citado é a popularização dos equipamentos articulados. “Eles viraram uma grande tendência mundial. É a transição entre o iniciante que está treinando na máquina, em um ambiente mais seguro que guia o movimento, e a ida para o peso livre. Os articulados são um excelente auxílio: você não precisa de alguém te ajudando, ele guia o movimento, mas obriga a trabalhar os músculos secundários e terciários, te preparando para pegar um halter, subir carga e trazer um trabalho de hipertrofia.”
Quando o equipamento da academia não tem os ajustes necessários, isso pode gerar desconforto e até risco de lesão. “Às vezes o banco não desce ou não sobe o suficiente, e você encontra poucos ajustes. No mínimo, é desconfortável, e a execução do treino fica limitada”, alerta. Para o diretor, esses detalhes de ergonomia, incluindo itens como porta-celular e porta-squeeze nos equipamentos, fazem parte de uma filosofia maior. “A academia precisa ser uma extensão confortável da sua casa.”
Tirar o aluno do sofá, não do concorrente
Um dos pontos mais relevantes levantados por Miglioli é sobre onde está o verdadeiro potencial de crescimento do setor. “O grande ativo para que o nosso segmento continue crescendo não está em tirar o aluno do vizinho. Está em tirar o aluno do sofá ou aquela pessoa que pratica futebol uma vez por semana ou não faz nenhuma outra atividade.”
Segundo cálculo apresentado pelo diretor, com base em dados do IBGE e do Panorama Setorial Fitness Brasil, o mercado brasileiro tem potencial para dobrar novamente. “Temos por volta de 20 milhões de pessoas em potencial que significariam dobrar o mercado atual, chegando perto de um teto, comparando com Europa e Estados Unidos, onde a penetração fica entre 21% e 25% da população matriculada em academia. Aqui chegaríamos por volta de 16% a 18%. É plausível.”
Para Miglioli, o caminho passa necessariamente por conscientização coletiva do setor. “O que vai fazer o nosso mercado dobrar é a escolha de todo o setor de fitness e wellness em promover a saúde e o bem-estar a título de comunicação. Se você treinar, diminui muito o risco de diversos problemas na velhice. Mas isso tem que ser disseminado em larga escala. Com certeza o pilar número um é comunicação, é marketing, é atrair as pessoas através da conscientização.”
Dados como ferramenta de gestão
A Konnen Fitness também aposta fortemente em inteligência de dados para orientar suas decisões e apoiar seus clientes. “Uma das minhas especializações é exatamente em desenvolvimento e leitura de dados. Tenho implementado isso na companhia”, conta.
Um dos serviços gratuitos oferecidos pela empresa aos clientes é o estudo demográfico de cada região. “Levantamos para os nossos clientes o estudo demográfico do ponto comercial deles. Às vezes, você passa a enxergar cenários bizarros: o gestor quer aumentar a mensalidade porque está faltando dinheiro e a concorrência ao redor está no mesmo patamar, por exemplo. No entanto, você olha o estudo demográfico e vê que a classe A daquela região é 1%, a classe B é 3%, a classe C é quase 80%. Você não consegue aumentar a mensalidade, precisa criar diferenciação antes.”
Esse investimento em estrutura de dados já reflete em resultados internos. “A gente tem uma taxa de recompra de 80%. É um dado interno nosso do qual temos muito orgulho. Nossos clientes dificilmente saem do nosso guarda-chuva depois que experimentam toda a jornada”, afirma Miglioli.
Konnen Fitness na Fitness Brasil Expo 2026
A presença da Konnen na Fitness Brasil Expo reflete o investimento da empresa em estrutura e relacionamento com o mercado. Como patrocinadora diamante do evento, a companhia leva um dos maiores estandes da feira.

O espaço também funciona como ponto de encontro do setor. “Consideramos nosso estande uma âncora. Nossos sócios têm por volta de 30 anos de mercado, conhecem absolutamente todo o mercado, dos concorrentes aos donos de academia. Ou seja, recebemos muita gente, é um grande momento de confraternização.” Para esta edição, a empresa promete novidades. “Vamos ter uma parceria com podcast ao vivo ao lado de uma das grandes marcas do Brasil, que eu ainda não posso revelar. Também teremos a presença VIP da nossa embaixadora, Juju Salimeni, nos três dias, além de uma palestra dentro das plenárias.”
Para fechar, o convite de Miglioli é direto. “Convido o público a nos visitar, porque vamos ter uma série de novidades em equipamentos, tecnologias e tendências e muita troca de experiências e ativações no nosso estande.”
A Fitness Brasil Expo 2026 acontece de 27 a 29 de agosto, no Transamérica Expo Center, em São Paulo (SP).













































































































































































































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