Avaliação postural para estruturação de treinos, prescrição de exercícios e reabilitação musculoesquelética

De acordo com a vivência de diversos profissionais da área da saúde (educação física, fisioterapia e medicina) que atuam no contexto da atividade física e esporte, a avaliação postural, teve seu maior impacto e visibilidade perante a sociedade, na década dos anos 80, onde estes profissionais tentaram mostrar o quanto era importante se preocupar com a postura corporal naquela época. Eles começaram a utilizá-la, com mais frequência, como um recurso diagnóstico (avaliação), na identificação de alterações posturais em escolas, academias, clínicas, hospitais, centro de reabilitação, spas, clubes esportivos e etc., mas infelizmente, a avaliação postural, não conseguiu se consolidar no cenário e foi declinando, perdendo forças e espaço para a avaliação da composição corporal, devido a expansão da obesidade. Atualmente, este cenário vem mudando, onde a área da postura corporal está crescendo no mundo, ainda mais agora com a advento da pandemia, o que provocou isolamento social, redução da prática de atividades físicas e as atividades home office, situações estas, que fazem com que muitas pessoas passem por estados de tensão física e emocional, que irão repercutir negativamente no corpo humano e gerar problemas musculoesqueléticos futuramente. Este contexto atual, apesar de muito doloroso para todos nós, também nos mostra uma oportunidade, ou seja, trabalhar com avaliação postural será de extrema importância, uma vez que ela é uma excelente estratégia diagnóstica, que auxilia no tratamento da reabilitação musculoesquelética e estruturação de treinos para prescrição de exercícios, de forma mais assertiva e funcional. Sabe-se que o principal objetivo da avaliação postural, é avaliar as simetrias (equilíbrios) e assimetrias (desequilíbrios) nos segmentos corporais e regiões, com a finalidade de identificar as alterações posturais que estão ocorrendo em pessoas comuns e atletas, por meio da aquisição de imagens estáticas ou dinâmicas. Aliada a avaliação postural, um dos recursos que percebo ser de excelente qualidade e que pode ser aplicado no processo de análise é a biofotogrametria (registro fotográfico). Digo isto, porque ela é um recurso não invasivo, de fácil acesso, baixo custo e prático, o que permite ao avaliador, saber como está a postura corporal do avaliado e entender sobre o equilíbrio musculoesquelético e quais são as alterações posturais que estão ocorrendo. Tendo conhecimento desta estratégia diante deste novo quadro que o mundo está apresentado hoje, a pandemia, surge então um questionamento: Quais motivos estão fazendo com que a avaliação postural esteja crescendo pelo mundo? Dentro deste contexto, listo alguns motivos que podem ser citados:
  • surgimento da pandemia que gera sedentarismo, dores musculoesqueléticas, obesidade, estresse, ansiedade, depressão e etc., ou seja, situações que interferem diretamente na postura corporal;
  • aumento do uso das redes sociais, expansão de cursos on line e publicação de livros na área, o que aumenta as possibilidades de conhecimento, formação profissional e alcance geográfico;
  • desenvolvimento de artigos informativos, publicação científicas e trabalhos de conclusão de cursos, começando a mostrar sua efetividade dentro destes cenários;
  • desenvolvimento de aplicativos, o que permite ao avaliador, ter uma resposta imediata, naquele exato momento, de como está a postura corporal do avaliado.
Percebe-se que ela é uma forte aliada na reabilitação musculoesquelética e estruturação do treino, bem como, prescrição de exercícios de pessoas comuns e atletas, para se trazer mais qualidade de informação na prestação de serviço, podendo ser aplicada em academias, estúdios, hospitais, centros de reabilitação, equipes desportivas, clubes, spas e etc., o que traz credibilidade, adesão e fidelização, porque demonstra responsabilidade e um maior cuidado com a saúde do avaliado. Sendo assim, acredita-se que avaliação postural poderá contribuir para:
  • obtenção de informações diagnósticas sobre a postura corporal do avaliado;
  • torna a intervenção e o tratamento mais efetivo (permite monitoramento);
  • identifica os efeitos provocados pela intervenção e o tratamento;
  • possibilita parâmetros de comparação (antes e depois);
  • facilita o controle das sobrecargas musculoesqueléticas;
  • ajuda no processo de melhora da consciência corporal do avaliado;
  • torna o atendimento humanizado.
Desta forma, nota-se que a partir do momento que o profissional da saúde, começar a utilizar a avaliação postural, como parte integrante do seu cotidiano profissional, ele irá agregar mais valor a seu trabalho, passando mais confiança e segurança nos diagnósticos que está realizando, porque este comportamento, demonstra perante a sociedade, cuidado e preocupação, o que traz qualidade na prestação do serviço.

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