Mais acessibilidade e menos capacitismo

São essas as grandes lutas lembradas nesse Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. A atividade física, além de melhorar a qualidade de vida, é também uma boa ferramenta de inclusão   

Yara Achôa, Fitness Brasil
3/12/2021

Inclusão é mais do que uma palavra da moda. É atitude e ação. É uma luta das pessoas com deficiência (PCD) todos os dias e lembrada especialmente nesse 3 de dezembro – Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Entre as questões que precisam ganhar luz nessa reflexão estão mais acessibilidade e menos capacitismo.

Acessibilidade se refere à possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Capacitismo é um preconceito dirigido a qualquer pessoa que apresenta uma deficiência – física, intelectual ou sensorial. Ele contribui para privar os direitos e a dignidade humana das pessoas com deficiência, contribuindo diretamente para a exclusão social.

Recentemente na IHRSA Fitness Brasil, Artur Hashimoto – professor de educação física, preparador físico, treinador core 360º e diretor da Saúde em Evidência, academia 100% acessível – deu uma aula sobre educação física inclusiva e treinamento para cadeirantes, mostrando o quanto é possível tornar a atividade física acessível, com atenção, mas sem julgamentos. “A educação física vai muito além de esculpir corpos. Quando você entende do movimento, aprende a resgatar vidas. Minha intenção é transformar a vida das pessoas com saúde.”

Para o especialista, os exercícios realizados durante a prática dos programas de treinamento ou esportes (individuais ou coletivos) são indispensáveis na vida das pessoas com deficiência. “Eles proporcionam para essa população alguns benefícios físicos (aumento resistência, força e flexibilidade) e psicológicos (socialização e melhora da autoestima), que são fundamentais para aquisição, manutenção ou melhora da qualidade de vida”, explica Hashimoto.

Emerson, o triatleta

Em 2014, o advogado Emerson Damasceno, de Fortaleza (CE), treinava para um Ironman quando foi atropelado. O acidente provocou uma lesão medular, deixando-o paraplégico.

O esporte foi fundamental para seguir em frente. Hoje Damasceno é paratleta – inclusive voltou a fazer um Ironman em sua cidade – e Presidente da Comissão de Defesa da Pessoa com Deficiência da OAB-CE.  

Datas como 21 setembro (Dia Nacional da Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência) e 3 de dezembro demarcam uma luta constante das pessoas com deficiência. Não deve ser uma luta apenas das pessoas com deficiência, mas de toda a sociedade. É importante combater o capacitismo, que é uma maneira de você discriminar a pessoa com deficiência, de enxergá-la somente em função das suas deficiências. Dessa forma, deve ser uma ação coletiva.”

Com o esporte, o advogado conseguiu retomar sua vida em sociedade. “Continuei nadando após o acidente e isso sempre me trouxe ótimas sensações. Também voltei a pedalar depois de quase oito anos, com uma handbike. Hoje percorro cerca de 20K por dia pelas ruas. Temos uma malha muito boa de ciclofaixas em Fortaleza. Além do bem-estar físico e do prazer, é ótimo voltar a ter a sensação de pertencimento da cidade.

Seu desejo é que cada vez mais as pessoas evitem atitudes capacitistas.  “Colocar uma PCD como guerreira, como exemplo de superação – às vezes de forma até inconsciente –, é uma atitude capacitista. É uma forma de imputar àquela pessoa com deficiência a sua obrigação de ter esse tipo de desempenho. Academias, assessorias, profissionais de educação física devem ficar atentos a isso. Temos uma gama imensa de pessoas com deficiência no país. Somos cerca 10% da população, em torno de 20 milhões de pessoas. E temos direito constitucional de frequentar uma praia, de praticar um esporte, ter acesso ao lazer. O esporte adaptado foi uma ferramenta de inclusão muito positiva para mim. E a maneira de minimizar o estigma que ainda existe, de buscar sensibilizar a sociedade pela luta contra o capacitismo, é ocuparmos os espaços, as ruas, as academias, as competições, exigindo que estejam adaptados à nossa fruição. Dessa forma teremos uma sociedade realmente acolhedora. A sociedade só é rica se for amplamente inclusiva para todas as pessoas”, finaliza.

Vinícius, o campeão paralímpico

Se você acompanhou os Jogos Paralímpicos de Tóquio, deve ter visto Vinícius Rodrigues subir ao pódio. Ele compete na classe T63, para amputados de perna acima do joelho, e levou a medalha de prata nos 100m rasos.

Apesar de na infância jogar futebol e lutar judô, foi após um acidente de moto, aos 19 anos, que sua relação com o esporte ganhou novo sentido. Rodrigues teve de amputar a perna esquerda. E ainda em recuperação no hospital começou a recalcular sua vida. Ele recebeu a visita de Terezinha Guilhermina, atleta que nasceu com uma doença congênita que provoca a perda gradual da visão e havia conquistado oito medalhas em Paralimpíadas.

“A Terezinha me visitou porque tínhamos amigos em comum. E isso deu um novo rumo para mim”, explica. Ela presenteou Vinícius com um moletom que havia usado no pódio da Paralimpíada de Pequim, em 2008, além de um livro do Comitê Paralímpico Brasileiro, com todas as modalidades adaptadas. A afinidade entre os dois foi imediata e o desejo do jovem de sair do hospital e seguir direto para a pista de atletismo também. O resto é história.

No Dia da Pessoa com Deficiência, o recado de Vinícius Rodrigues também é por mais acessibilidade. “O esporte mudou minha vida e é importante fazer essa mensagem chegar a todos – especialmente às crianças e jovens com deficiência.”

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Martha Gabriel

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