A ciência ampliou o papel da atividade física: além de prevenir doenças cardiometabólicas, o exercício impacta imunidade, saúde mental e até o tratamento do câncer. Entenda o que isso muda na atuação do personal trainer
Prof. Dr. Luis Carlos de Oliveira, colunista Fitness Brasil
6/5/2026
Recentemente uma publicação da Nature Medicine, publicou uma edição especial sobre novas perspectivas da atividade física para a saúde, discussão que vai além das condições crônicas não transmissíveis e se você atua como personal trainer, provavelmente já percebeu que o papel da atividade física e do exercício na vida das pessoas vai muito além de melhorar a estética ou aumentar o desempenho físico. Hoje, a ciência mostra com muita clareza: movimentar o corpo é uma das estratégias mais poderosas para promover saúde em diferentes níveis — físico, mental e social.
Mas existe um ponto importante que vem sendo cada vez mais discutido: nem toda atividade física e prática de exercícios físicos acontecem em condições ideais. E isso muda completamente a forma como devemos enxergar nosso trabalho.
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Durante muito tempo, a atividade física e o exercício foram associados principalmente à prevenção de doenças cardiometabólicas, como obesidade, diabetes e hipertensão. Esses benefícios continuam sendo fundamentais, mas não são mais o único foco. Estudos recentes ampliaram esse olhar e mostram que o exercício físico tem impacto direto também no sistema imunológico, na saúde mental e até na prevenção e no tratamento de alguns tipos de câncer.

Para quem está no dia a dia com alunos, isso abre uma oportunidade enorme: você não está apenas prescrevendo treinos — está atuando diretamente na qualidade de vida e na longevidade das pessoas.
Um exemplo claro disso é o impacto da atividade física e o exercício trás sobre o sistema imunológico. Pessoas fisicamente ativas apresentam melhor resposta a infecções, menor inflamação crônica e até melhores respostas a vacinas. Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, indivíduos ativos apresentaram menores taxas de hospitalização e mortalidade.
No campo da saúde mental, os resultados são igualmente relevantes. A prática regular de exercício físico tem efeito comprovado na redução de sintomas de depressão e ansiedade. E o mais interessante: isso acontece independentemente da idade ou nível de condicionamento. Em outras palavras, qualquer pessoa pode se beneficiar — desde que exista orientação adequada.
E é exatamente aqui que entra o diferencial do personal trainer.

Mais do que prescrever séries e repetições, o profissional precisa entender o contexto de vida do aluno. Isso porque nem toda atividade física é resultado de escolha. Muitas pessoas já se movimentam bastante ao longo do dia — no trabalho, no deslocamento — mas em condições que não favorecem a saúde, como ambientes inseguros, jornadas exaustivas ou falta de recuperação adequada.
Esse ponto é essencial: movimento não é sinônimo automático de saúde.
Por isso, a atividade física orientada, planejada e adaptada à realidade do indivíduo ganha ainda mais importância. O seu trabalho passa a ser o de transformar o movimento em algo seguro, prazeroso e sustentável.
Outro aspecto que merece atenção é a desigualdade no acesso à prática de atividade física. Diferenças de renda, gênero e ambiente influenciam diretamente as oportunidades que cada pessoa tem de se exercitar. Enquanto alguns têm acesso a academias bem estruturadas e tempo livre, outros dependem de espaços públicos ou lidam com rotinas que dificultam qualquer tipo de prática regular.
Isso reforça um ponto importante: não existe prescrição padrão.
O bom profissional é aquele que consegue adaptar o treinamento à realidade do aluno. Às vezes, isso significa treinos mais curtos, estratégias mais simples ou até mudanças no formato da sessão. E tudo bem. O que importa é gerar consistência.
Outro erro comum, ainda muito presente, é reduzir a atividade física ou a prática de exercícios à perda de peso. Embora esse seja um objetivo legítimo para muitos alunos, ele não pode ser o único parâmetro de sucesso. Energia no dia a dia, qualidade do sono, redução do estresse e melhora do humor são indicadores igualmente importantes e muitas vezes, mais perceptíveis para o aluno.
Quando o aluno percebe esses ganhos, a adesão ao treino aumenta de forma significativa.
Além disso, a ciência também mostra uma relação importante entre atividade física e prevenção de câncer. Pessoas mais ativas apresentam menor risco de desenvolver diversos tipos da doença e, em casos já diagnosticados, melhores taxas de sobrevida. Isso amplia ainda mais o alcance da atuação do profissional de Educação Física dentro da área da saúde.
Diante de tudo isso, fica claro que estamos vivendo uma mudança de perspectiva. A atividade física deixa de ser vista apenas como uma ferramenta de condicionamento e passa a ocupar um papel central na promoção de saúde e bem-estar.
Para o personal trainer, isso exige uma atuação mais sensível, mais estratégica e mais conectada com a realidade do aluno. Escutar mais, observar mais e ajustar constantemente fazem parte desse processo.
No fim das contas, o que está em jogo não é apenas um treino bem feito, é a capacidade de transformar a vida das pessoas por meio do movimento.
E talvez essa seja a maior força da atividade física: ela é acessível, adaptável e, quando bem orientada, tem um potencial enorme de impactar positivamente a saúde em diferentes níveis.
Cabe a nós, profissionais da área, usar esse potencial da melhor forma possível.
Referências
– SALVO, D., Crochemore-Silva, I., Wendt, A. et al. Physical activity for public health in the 21st century. Nat Med 32, 1479–1489 (2026).
– https://doi.org/10.1038/s41591-026-04237-5
– KATZMARZYK, P. T. et al. Physical inactivity and non-communicable disease burden. British Journal of Sports Medicine, 2022.
– https://bjsm.bmj.com/content/56/2/101
Prof. Dr. Luis Carlos de Oliveira
CELAFISCS – Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul
GETAFIS – Grupo de Estudos em Treinamento, Atividade Física e Saúde – USJT
GEPAF – Grupo de Estudos e Pesquisas em Epidemiologia da Atividade Física e Saúde – USP













































































































































































































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