Vacinas são mais eficazes em pessoas que se exercitam

Pesquisa aponta que quem se dedica a uma atividade física com regularidade tem 50% mais chance de ter uma forte resposta imune

Yara Achôa, Fitness Brasil
7/1/2022

Pessoas fisicamente ativas têm 50% mais chances de desenvolver níveis mais elevados de anticorpos após receberem uma dose de vacina, quando comparadas com aquelas que estão fisicamente inativas. A descoberta vem de um estudo da Universidade Caledônia de Glasgow, que sugere que, ao se exercitarem, as pessoas podem aumentar significativamente a eficácia da vacinação. O trabalho também constatou que 30 minutos de atividade, cinco dias por semana, diminui em 37% o risco de adoecimento e morte por doenças infecciosas.

Segundo o professor Sebastien Chastin, um dos autores do estudo, os achados podem ter implicações importantes para futuras respostas pandêmicas. Escrevendo para o Fórum Econômico Mundial, Chastin declarou: “Já sabemos que a atividade física é uma das formas mais eficazes de prevenir doenças crônicas, além de seguir uma dieta saudável e não fumar. Um estudo anterior, de 2008, já constatou que a inatividade física é responsável por mais de cinco milhões de mortes prematuras a cada ano. Agora, nossa revisão sistemática das evidências mostra que a atividade física regular fortalece o sistema imunológico humano, reduz o risco de adoecer e morrer de doença infecciosa em mais de um terço e aumenta significativamente a eficácia das campanhas de vacinação. Isso tem implicações importantes para as respostas pandêmicas.”

Para a pesquisa, o professor e sua equipe reuniram e revisaram todas as evidências disponíveis relacionadas ao efeito do exercício sobre o risco de adoecer e morrer por doenças infecciosas, como pneumonia – causa frequente de morte por COVID-19 – sobre o funcionamento do sistema imunológico e o resultado da vacinação. “Encontramos evidências confiáveis de que a atividade física regular fortalece o sistema imunológico humano”, acrescentou Chastin.

Em 35 ensaios controlados randomizados independentes – o padrão-ouro para evidências científicas –, a atividade física regular resultou em níveis elevados do anticorpo imunoglobulina IgA. “Este anticorpo reveste a membrana mucosa de nossos pulmões e outras partes do nosso corpo onde vírus e bactérias podem entrar. A atividade física também aumenta o número de células T CD4+, que são responsáveis por alertar o sistema imunológico para um ataque e regular sua resposta.”

A pandemia, aliás, evidenciou muito o papel fundamental do exercício físico para a saúde e, com isso, muitas pessoas até então sedentárias, finalmente passaram a entender a importância de sair da inércia e começaram a se exercitar. “Os efeitos profiláticos e terapêuticos do exercício em relação à várias doenças já são bem estabelecidos e conhecidos. Mas, em relação ao COVID-19 os efeitos do exercício físico sobre o sistema imunológico ficaram evidenciados. Estudos mostraram que pessoas fisicamente ativas tinham uma quantidade de anticorpos mais elevada após a vacina, ou seja, estavam mais protegidas. Vários estudos mostraram, mais uma vez, que o estilo de vida ativo entre outros fatores como o sono, tabagismo, alcoolismo, estresse, sobrepeso, alimentação impactam o sistema imunológico e podem deixar o indivíduo mais ou menos protegido”, concorda o pesquisador Ercole Rubini, especialista em Fisiologia do Exercício, Mestre em Educação Física e Doutor em Ciências do Exercício e do Esporte, do Rio de Janeiro.

Nos ensaios controlados randomizados estudados, as vacinas também parecem mais eficazes se forem administradas após um programa de atividade física. “Uma pessoa que está ativa tem 50% mais chances de ter uma contagem de anticorpos maior após a vacina do que alguém que não está ativo”, finaliza Chastin.

Para acessar e ler a pesquisa completa, clique aqui

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