OMS recomenda colocar mais movimento no dia a dia

Não basta ser ativo, é preciso incorporar também um comportamento não sedentário, indo além dos 150 minutos semanais de atividade física já recomendados. Sendo assim, todo movimento conta

Yara Achôa, Fitness Brasil
11/1/2022

Quatro a cinco milhões de mortes por ano poderiam ser evitadas se a população global fosse mais fisicamente ativa. A informação consta nas mais recentes Diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Atividade Física e Comportamento Sedentário. São recomendações globais que permitem que os países desenvolvam políticas nacionais de saúde baseadas em evidências e apoiem a implementação do Plano de Ação Global da OMS para a atividade física.

As principais mensagens que as autoridades em saúde desejam transmitir são claras e lembradas no início do documento:

1.  A atividade física é boa para o coração, o corpo e a mente. Praticada de forma regular, pode prevenir e ajudar a controlar doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e câncer, que causam quase três quartos das mortes em todo o mundo. Também pode reduzir os sintomas de depressão e ansiedade e melhorar o pensamento, a aprendizagem e o bem-estar geral.

2. Qualquer quantidade de atividade física é melhor do que nenhuma, e quanto mais, melhor. Para saúde e bem-estar, a OMS recomenda pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física de moderada intensidade por semana (ou atividade física vigorosa equivalente) para todos os adultos, e uma média de 60 minutos de atividade física aeróbica moderada por dia para crianças e adolescentes.

3. Toda atividade física conta. Ela pode ser realizada como parte do trabalho, esporte e lazer ou transporte (caminhando, patinando e pedalando), bem como tarefas diárias e domésticas.

4. O fortalecimento muscular beneficia a todos. Idosos (com 65 anos ou mais) devem adicionar atividades físicas que enfatizem o equilíbrio e a coordenação, bem como o fortalecimento muscular, para ajudar a prevenir quedas e melhorar a saúde.

5. Muito comportamento sedentário pode ser prejudicial à saúde. Pode aumentar o risco de doenças cardíacas, câncer e diabetes tipo 2. Limitar o tempo sedentário e ser fisicamente ativo é bom para a saúde.

6. Todos podem se beneficiar com o aumento da atividade física e a redução do comportamento sedentário, incluindo mulheres grávidas, no pós-parto e pessoas que vivem com doenças crônicas ou deficiência

“Os 150 minutos de atividade física de moderada intensidade por semana já eram recomendados anteriormente. As novas diretrizes acrescentaram informações para que as mensagens ficassem mais claras. Então, agora dizemos que são necessários pelo menos 150 minutos. E o que puder ser feito a mais, até 300 minutos/ semana, será muito positivo. A comunidade científica já sabia disso há tempos – a diferença é que agora consta nas Diretrizes da OMS”, explica o professor Luis Oliveira, um dos diretores do Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS).

Entre outros acréscimos no documento desenvolvido pela OMS também estão a inclusão de capítulos destinados a atividade para deficientes físicos, grávidas e idosos. “Devemos incentivar mulheres a manter atividades físicas regulares durante a gravidez e após o parto. Bem como mostrar os valiosos benefícios à saúde para idosos (com 65 anos ou mais), que devem investir em fortalecimento para ganho de massa muscular e aumento da densidade óssea e em atividades que foquem em equilíbrio e coordenação para ajudar a prevenir quedas e melhorar a saúde de forma geral”, aponta o diretor do CELAFISCS.

Mexa-se todo dia, toda hora

Aylton Figueira Júnior, professor do Programa de Mestrado e Doutorado da Universidade São Judas Tadeu (USJT), membro do CNPq e da FAPESP e autor de oito livros, considera muito importante o ajuste feito pela OMS. “Uma coisa é ser classificado como fisicamente ativo; outra é, de fato, ser ativo. Não adianta cumprir os 150 minutos semanais e, ao mesmo tempo, ter muitas horas de comportamento sedentário”, diz. Em sua análise, é preciso reduzir esse tempo parado. “Passar uma média de oito horas por dia sentado é um grande problema!”

Todo movimento conta, especialmente agora que gerenciamos as restrições da pandemia de COVID-19. Devemos todos nos mover todos os dias – com segurança e criatividade”, diz Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Sendo assim, de acordo com os especialistas, além dos exercícios físicos (caminhada, corrida, treinos na academia etc.), contam como movimento a ida a pé até a padaria, a faxina em casa, subir dois lances de escada no trabalho e até ficar em pé por alguns minutos entre uma tarefa e outra do dia. “O exercício continua fundamental, mas hoje sabe-se que deve ser combinado com uma rotina fisicamente ativa. Tudo isso ajuda a reduzir o comportamento sedentário”, diz Figueira.

O professor Luis Oliveira lembra também que boa alimentação e sono reparador figuram entre as necessidades básicas para manutenção da saúde e prevenção de doenças.

Vale também para crianças e adolescentes

Para esses grupos, a atividade física proporciona benefícios como melhora da aptidão física (aptidão cardiorrespiratória e muscular), saúde cardiometabólica (pressão arterial, dislipidemias, glicose e resistência à insulina), saúde óssea, cognição (desempenho acadêmico e função executiva), saúde mental (redução dos sintomas de depressão) e redução da adiposidade.

E as novas diretrizes recomendam uma média de 60 minutos por dia de atividade física de moderada a vigorosa intensidade. “Para as crianças, devemos estimular inclusive atividades que fortalecem os músculos e ossos, por meio de brincadeiras – como carriola e corrida de saco, por exemplo”, diz o diretor da CELAFISCS, que trabalha com esse público.

É importante fornecer a todos oportunidades seguras e equitativas e encorajar a participação em atividades físicas que sejam agradáveis e divertidas, ofertar variedade, e que sejam adequadas para a idade e habilidade.

“Colocar mais movimento no dia a dia é uma das maneiras mais efetivas de preservar a saúde”, finaliza Figueira Junior.

Fotos Robert Collins/ Unsplash, Theresa Kumazah, Vidal Balielo Jr, Leon Macapagal, Antonius Ferret/ Pexels

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